Assédio sexual na Polícia Militar.

Policial Militar abandona Corporação por assédio sexual e denuncia abusos

“Sofri assédio moral e sexual dentro do batalhão, porque eu não correspondi a um capitão ele começou a me perseguir. Por causa das perseguições, passei a desenvolver ansiedade. Por vezes passei mal e cheguei a um nível de estresse tão grande que não aguentei mais ficar lá. Escolhi sair. Em primeiro lugar, veio minha saúde mental. Nunca mais tive problemas”, o relato é da ex – policial militar de Pernambuco e, hoje, advogada Rebeka Alves.

assédio sexual na PM em Recife
Rebeka Alves, Advogada

A saída da PMPE foi em 2019 mas, somente agora, Rebeka decidiu falar sobre o assunto, através das redes sociais. Em quatro vídeos, ela relata tudo o que aconteceu desde a decisão de fazer o concurso, as experiências vividas, a decisão de sair e a volta por cima. “Achei importante compartilhar o que tinha acontecido porque muitas pessoas ainda achavam que eu estava na Polícia. Além de que, como eu me tratava de ansiedade, e fiquei bastante magoada com tudo, antes eu não sentia a vontade de comentar”, explica.

Rebeka relata que fez o curso da PMPE de setembro de 2017 a abril de 2018. Pouco antes de entrar, um amigo policial fez o alerta do que viria comentando “fica tranquila que mulher bonita na polícia não sofre”. Ela começou a trabalhar em abril de 2018. Passei dois meses de estágio no 12 Batalhão, mas não teve problemas. “Depois fui para o 20 Batalhão, em São Lourenço e foi onde todo o problema começou”, afirma.

A “cultura” dentro da polícia é de total falta de respeito, inicialmente por ser uma garota bonita e com formação superior. Começaram a denegrir sua imagem com comentários, tais como: ela se acha, tem o nariz empinado. “Dos comentários começaram a gerar um desconforto dentro do batalhão, pois trabalhava no administrativo”, conta. Os assédios eram constantes. O capitão começou a perseguir, no sentido de ficar sempre de olho, esperando um passo em falso. “Na minha frente fingia ser amigo, nas minhas costas, falava mal”, explica.

Foto: Instagram

Em 2019, o Deputado Joel da Harpa apresentou um Projeto de Lei 624/2019 propondo a criação de uma Ouvidoria de Combate ao Assédio a Mulher Profissional de Segurança Pública na Secretaria de Defesa Social. A proposta é pioneira no Brasil e o objetivo é dar voz a essas mulheres.

Os números são sombrios: no Brasil, 40% das policiais disseram já ter sofrido assédio moral ou sexual no ambiente de trabalho. O levantamento foi feito com mulheres das guardas municipais, pericia criminal, Corpo de Bombeiros e das Policias Civil, Militar e Federal por iniciativa do Fórum Brasileiro de Segurança Pública e da Fundação Getúlio Vargas.“Se as policiais são desrespeitadas, como podem combater a violência e acolher as vítimas?”, questiona Joel. As mulheres se sentem emparedadas. Os homens precisam se envergonhar, reconhecer o erro e mudar a conduta”, diz o projeto.

Fonte: Blog Ponto de Vista

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